1º Festival Sabor & Som

Ministério do Turismo, Secretaria Especial da Cultura, Lei Aldir Blanc e Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, apresentam:

Ministério do Turismo, Secretaria Especial da Cultura, Lei Aldir Blanc e Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, apresentam:

Gisella Gonçalves

Gisella Gonçalves
Diretora artística
Borandá Produções

APRESENTAÇÃO

Nossos sentidos são o veículo da nossa percepção do mundo e constituem um fator importante  na formação de nossa cultura: “uma forma particular de ser, de estar, de viver e de sentir o  mundo, onde está inserida uma somatória de costumes, tradições e valores” (Sonia Rodrigues).  Visão, audição, paladar, olfato, tato… eles nunca se encontram apartados uns dos outros. Ao  contrário, um desperta (e alimenta) os demais, constante e cotidianamente. 

Desde a chegada da pandemia de Covid-19 em nosso país, em março/2020, com a adoção das  necessárias medidas sanitárias de isolamento social, a música e a culinária se tornaram  manifestações culturais de extrema importância para a manutenção dos laços familiares e  sociais possíveis. Cozinhar e ouvir música se mostraram, provavelmente, as atividades mais  relevantes na vida cotidiana de todos nós ao longo de todo esse tempo, unindo e nutrindo o  espírito humano nesse já longo período em que, por força das circunstâncias, nos vimos  obrigados a viver (e conviver) em nossa própria casa.

A tentativa de ampliar nossa percepção desses fazeres cotidianos – embora intrinsecamente culturais – foi a inspiração para a criação deste primeiro FESTIVAL SABOR & SOM, no qual propomos um exercício de reflexão, a partir da comida e da música (ou do paladar e da audição), sobre as três matrizes étnicas presentes na formação de nossa sociedade, segundo o antropólogo, historiador e sociólogo Darcy Ribeiro: a matriz indígena, a matriz europeia e a matriz africana. Nossa cultura foi forjada a partir da presença dessas três matrizes, tão marcantemente influentes em nossa música e nas nossas tradições culinárias.

Esperamos que o festival cumpra seu objetivo de revisitar as raízes culturais de nossa sociedade a partir da percepção sensorial individual, levando a alegria possível e muita inspiração aos repertórios culinário e gastronômico de todas e todos que o assistam. E, especialmente, torcemos para que, nos próximos anos, possamos estar juntos em novas edições presenciais do FESTIVAL SABOR & SOM!

Gisella Gonçalves

Gisella Gonçalves
Diretora artística
Borandá Produções

Este festival foi idealizado, produzido e realizado em um período extremamente desafiador para toda a humanidade, quando o novo coronavírus SARS-CoV-2 surgiu e se alastrou por todo o mundo, tendo levado à morte mais de 2,85 milhões de pessoas entre dezembro de 2019 e março de 2021.

A pandemia tem sido particularmente devastadora no Brasil, onde pelo menos 336.947 vidas foram ceifadas pelo vírus até hoje, dia 6 de abril de 2021, número tristemente assombroso e que segue crescendo a cada dia.

Dedicamos este 1º FESTIVAL SABOR & SOM, enlutados e com profunda solidariedade, a cada uma dessas pessoas que sucumbiram à Covid-19 e à desigualdade social em nosso país.

SABOR

Luiza Fecarotta

COZINHA BRASILEIRA? SÃO MUITAS, UMA RICA E CONTROVERSA MISTURA CULTURAL

Por Luiza Fecarotta
Fincou-se no imaginário do brasileiro deste tempo e espaço a ideia de que a nossa cozinha nasce da contribuição igualitária de índios, negros e europeus. Estudos mais modernos, porém, sinalizam que as influências dessas três matrizes enquadram-se num dramático processo histórico e estão distantes do equilíbrio.

O ato de cozinhar, que nos tornou civilizados segundo a perspectiva do antropólogo francês Claude Lévi-Strauss (1908-2009), pressupõe um ambiente de liberdade, no qual o homem possa interagir com a natureza e transformá-la em cultura por meio do fogo, da técnica, da criatividade e da experimentação.

Ainda que a cozinha dos negros africanos tenha inspirado a baiana, e que da África tenham vindo coco, banana, café, pimenta-malagueta, quiabo, azeite-de-dendê – que depois da Abolição estruturaram uma cozinha ritualística ligada ao candomblé –, a cultura europeia surge impositiva, subtrai a autonomia do escravo e lhe arranca seus hábitos alimentares.

Ainda que a culinária indígena se manifeste até hoje em elementos como a mandioca, herdada dos tupinambás, e o milho, dos guaranis, a cultura branca, opressiva desde a ocupação dos portugueses, cuida de dizimar o índio e esvaziar suas tradições.

A propósito, “Outro Portugal” era como o jesuíta Fernão Cardim (1540-1625) se referia ao Brasil, território no qual colonizadores resistiram para manter seus costumes alimentares pátrios. Aqui, reproduziram o quintal, a horta, o curral; incorporaram o porco, a galinha, a abóbora.

Na presença dos portugueses, a cozinha brasileira se reorganiza na dicotomia do doce e do salgado – passa a valorizar o sal e assimilar o açúcar, este afastado da noção de negros e de índios que se alimentavam para se sustentar.

Incorporaram-se ainda técnicas de cocção, como o assado, que se assemelha ao moquém indígena; de conservação – eis o porco na banha, a fazer referência ao confit clássico dos europeus –; e bases de preparo como o refogado.

Para desbravar nossas terras sertão adentro, por outro lado, lusitanos tiveram de aprender com os índios como se alimentar numa cultura nômade, de deslocamento, mata fechada, virgem. Frutas tropicais, caças, pesca. A adaptação mais profunda foi a substituição da farinha de trigo pela de mandioca.
Em que pese a colonização portuguesa do território brasileiro, há questionadores desse domínio, do ponto de vista alimentar. O Brasil, para o sociólogo Gilberto Freyre (1900-1987), também colonizou Portugal, a seu modo.

O que se manifesta unânime, diante de tantas dissonâncias, é o entendimento da amplitude e da riqueza, parte desconhecida, do repertório da cozinha brasileira – e sua capacidade de comunicar a pluralidade cultural que aqui se instalou, conviveu e estabeleceu trocas.

Pois é justamente essa mistura, fincada nas três principais matrizes étnicas que nos dão carne e profundidade, que serve de alicerce à primeira edição do Festival Sabor & Som, iniciativa da Borandá Produções, que promove diálogo cultural nestes tempos trevosos em que a cultura tem sido sufocada por forças brutais. Há que travá-lo, como força transformadora, com alegria e festividade.

Luiza Fecarotta
 é jornalista, crítica e curadora gastronômica; faz pesquisas em campo sobre cozinha brasileira e é pós-graduanda em Formação de Escritores

SOM

Maria Luiza Kfouri

“Ninguém ouviu
Um soluçar de dor
No canto do Brasil
Um lamento triste
Sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro
E de lá cantou
Negro entoou
Um canto de revolta pelos ares
No Quilombo dos Palmares
Onde se refugiou (...)”

Canto das Três Raças, de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro

Ao som e ao sabor dos ventos que encaminharam a esquadra de Cabral para os lados de cá formou-se um país de raças diversas e, por isso mesmo, de cultura riquíssima.

Antes de 1500, os sons que aqui se praticavam vinham das cabaças, das flautas de bambu, dos chocalhos, dos pios, dos paus-de-chuva, das vozes e de uma infinidade de melodias criadas pelos índios para acompanhar as caminhadas, as caçadas, os banhos de rio, os rituais, a vida em comum.

O português que invadiu este imenso território e estas vidas já trazia no sangue o resultado de oito séculos de ocupação moura.

Ao escravizar o índio e ao se misturar com ele deu origem aos brasilíndios ou mamelucos, um povo que não era nem índio nem português.

Tempos depois, ao trazer os africanos acorrentados em porões de navios – numa das páginas mais violentas da história mundial – os escravizou durante 300 anos e, ao se servir das escravas negras, deu origem aos mulatos.

Em que pese toda esta violência, índios e negros africanos não se negaram a dividir com aquela “nova ordem” uma imensa e rica cultura musical, nascida de suas vozes e dos instrumentos extraídos das imensas e até então preservadas florestas brasileiras e das não menos densas selvas africanas.

A música indígena tem influência marcante na forma do cantar brasileiro e em danças como, por exemplo, o caboclinho e a catira.

Some-se a tudo isso a música trazida pelo branco europeu e:

“As selvas te deram nas noites teus ritmos bárbaros
Os negros trouxeram de longe reservas de pranto
Os brancos falavam de amores em suas canções
E dessa mistura de vozes nasceu o teu canto (...)”

Canta Brasil, de Alcyr Pires Vermelho e David Nasser

Num resumo rápido, foi assim que das polcas e valsas europeias tocadas nos salões da corte no Rio de Janeiro nasceu o choro tocado nas esquinas e nos quintais daqueles que não tinham permissão para frequentar essas festas, a não ser trabalhando. Assim como da dança ao som das vozes e dos batuques nos terreiros das fazendas e engenhos nasceu o samba.

E desta mistura de instrumentos, de ritmos, de vozes e de gêneros, vindos do gênio criativo destas já não sabemos mais quantas raças somos, nasceu uma das mais belas e ricas entre todas as músicas que se fazem neste tão maltratado planeta: a música do Brasil e todos os seus múltiplos sons.

Ao unir o paladar ao ouvido, o 1º Festival Sabor & Som, da Borandá Produções, nos dá a oportunidade de aguçar nossos sentidos para duas de nossas melhores companhias nestes tempos de quarentena e isolamento, a culinária e a música.

Bom apetite e boa audição!

Maria Luiza Kfouri
é jornalista, radialista, pesquisadora, criadora e mantenedora do site Discos do Brasil
(www.discosdobrasil.com.br).

PROGRAMAÇÃO

(sempre às 15h)

23/04/2021 (sexta)

A RAIZ INDÍGENA

FABIANA BADRA

24/04/2021 (sábado)

A RAIZ AFRICANA

CINTIA SANCHEZ

25/04/2021 (domingo)

A RAIZ EUROPEIA

ELENICE ALTMAN

(sempre às 19h)

23/04/2021 (sexta)

A RAIZ INDÍGENA

PATRÍCIA BASTOS e
DANTE OZZETTI

24/04/2021 (sábado)

A RAIZ AFRICANA

SERGIO SANTOS

25/04/2021 (domingo)

A RAIZ EUROPEIA

SANDRA FIDALGO e
TONINHO FERRAGUTTI

23

ABRIL

sexta

15h

FABIANA BADRA

FABIANA BADRA

FABIANA BADRA já cozinhou em castelo medieval na Espanha e já comeu em aldeia indígena na Amazônia. Jornalista especializada em gastronomia, passou por revista, televisão, internet e mantém um trabalho esmerado em produção culinária e teste de receitas. Sente-se constantemente inspirada pela descoberta que faz da cozinha brasileira nos livros e nas vivências. Em suas últimas pesquisas, deu singular atenção à participação de mulheres indígenas na construção da nossa cozinha – muito embora sejam personagens pouco mencionadas nos registros históricos. Foi nessa raiz que buscou referências para criar o cardápio do 1º FESTIVAL SABOR & SOM, no qual celebra elementos como a mandioca, eleita rainha do Brasil. Ainda que a cozinha dos índios não respeite a divisão convencional de entrada, prato e sobremesa, Badra propõe, para começar, um caldinho de peixe com mandioca, temperado com pimenta e coentro, que ela doura para fazer alusão ao moquém indígena, que pressupõe uma grelha de paus sobre o fogo. Segue com uma moqueca – derivada da palavra tupi pokeka, que significa assado de peixe –, utilizando, no lugar do pescado, o palmito, abundante em terras nacionais, e a banana-da-terra. Em sua companhia, pirão de legumes, uma adaptação do tradicional pirão de peixe, engrossado com farinha de mandioca. Para finalizar, mingau de tapioca, mel e coco, este de origem asiática e, aclimatado no Brasil, já tão brasileiro.

CARDÁPIO

ENTRADA
Caldinho de peixe com mandioca
e tucupi

PRATO PRINCIPAL
Moqueca de banana-da-terra
com pupunha e jambu
Acompanha pirão de legumes

SOBREMESA
Mingau de tapioca com coco e mel

23

ABRIL

sexta

19h

PATRÍCIA BASTOS
DANTE OZZETTI

Natural de Macapá, PATRÍCIA BASTOS cresceu em ambiente musical, começou sua formação no coral Vozes do Amapá e estudou no Conservatório Walkíria Lima. Começou sua carreira musical aos 18 anos, como vocalista da Banda Brinds, onde permaneceu por cinco anos. Participou e foi premiada em festivais como o da Canção Amapaense, em 1997, o Internacional de Goiás e o de Tatuí, cidade do interior de São Paulo que abriga o conceituado Conservatório de Tatuí. Em 2013, quando lançou seu 5º disco – Zulusa – foi premiada como melhor disco e melhor cantora regional no 25º Prêmio da Música Brasileira. Em 2016, lançou Batombacaba, álbum em que apresenta gêneros musicais amapaenses, como o marabaixo e o cacicó, e foi indicado ao Grammy Latino. Recentemente, gravou o álbum Timbres e Temperos, no qual apresenta composições dos também amapaenses Joãozinho Gomes e Enrico di Miceli. Esses três discos tiveram a produção do compositor e violonista Dante Ozzetti, com quem Patrícia se apresenta neste 1º FESTIVAL SABOR & SOM.

O paulistano DANTE OZZETTI é compositor, arranjador, violonista e produtor. Ao lado da irmã Ná Ozzetti e de parceiros como Luiz Tatit, Chico César, Zeca Baleiro, Zélia Duncan e Zé Miguel Wisnik, entre outros, Dante é figura constante na cena da música contemporânea brasileira. Em 1988 ganhou dois prêmios Sharp como melhor arranjador e produtor pelo disco Ná, o primeiro disco solo da cantora. Em carreira solo, Dante foi o vencedor do III Prêmio Visa de Música – Edição Compositores, em 2000. O prêmio lhe rendeu a gravação do álbum Ultrapássaro, lançado em 2001. Em 2006, lançou o disco Achou! ao lado da cantora e compositora Ceumar e, em 2016, o instrumental Amazônia Órbita. Em 2012 e 2016, foi o produtor dos discos Zulusa e Batombacaba da cantora amapaense Patrícia Bastos, de quem também produziu o álbum Timbres e Temperos, no qual a cantora apresenta composições dos também amapaenses Joãozinho Gomes e Enrico di Miceli. É com Patrícia que Dante se apresenta neste 1º FESTIVAL SABOR & SOM.

REPERTÓRIO

1. JEITO TUCUJU
(Val Milhomem / Joãozinho Gomes)

2. RODOPIADO
(Ronaldo Silva)

3. INCANTU
(Enrico Di Miceli / Joãozinho Gomes)

4. U AMASSU I U DUBRADU
(Dante Ozzetti / Joãozinho Gomes)

5. EU SOU CABOCA
(Celso Viáfora / Joãozinho Gomes)

6. DEMÔNIO DE BATOM
(Dante Ozzetti / Joãozinho Gomes)

7. MAL DE AMOR
(Val Milhomem / Joãozinho Gomes)

8. BATOM BACABA
(Enrico Di Miceli / Joãozinho Gomes)

9. BANTO
(Paulinho Bastos)

10. MEI MEI
(Val Milhomem / Joãozinho Gomes)

11. MAMELUCA
(Val Milhomem / Joãozinho Gomes)

12. NO LAGUINHO
(Paulinho Bastos)

13. DOMINGO DE PÁSCOA
(Paulinho Bastos)

14. MANDALA A MANDELA
(Enrico Di Miceli / Joãozinho Gomes)

24

ABRIL

sábado

15h

CINTIA SANCHEZ

Assim como as mulheres afrodescendentes desempenharam um papel histórico na Bahia ao vender comida na rua, como um símbolo do trabalho e da independência, a jornalista e fotógrafa CINTIA SANCHEZ encontrou na cozinha o seu sustento – e o seu prazer. Participou da primeira edição do Master Chef, reality de culinária da Band; fez estágios no Arturito, de Paola Carosella, e no Dalva e Dito, de Alex Atala; teve negócios próprios na área de catering e hoje também é professora e chef de uma padaria de inclinação francesa. Traz essa afeição pela comida de sua infância, vivida em uma área rural de São Paulo, na qual a família conservava um quintal que provia ovos, hortaliças, leguminosas. Da abobrinha fazia um refogado para alimentar sua avó, quando adoecia – a mãe, enfermeira, pouco ficava em casa. Sua avó materna, aliás, era africana. Chegou ao Brasil com os pais, escravos, e foi cozinheira da família Matarazzo. De uma de suas receitas, Cintia tirou inspiração para elaborar o prato do 1º FESTIVAL SABOR & SOM. À semelhança do frango com quiabo mineiro, ela ensina o preparo de uma sobrecoxa de frango caipira com mamão verde, guarnecida com arroz de pupunha e farofa de dendê, que pode ser substituída por farofa de mongubá, uma castanha do Maranhão, que Cintia torra no óleo de babaçu – um coquinho com grande incidência no mesmo estado. As receitas que elegeu também fazem homenagem a um quilombo do interior de São Paulo, no Vale do Ribeira, no qual Cintia observou os mais velhos cozinharem. Foram ofícios como bater carne-seca no pilão de madeira para fazer paçoca; torrar mandioca para fazer farinha; criar porco solto entre as crianças para fazer torresmo de suas barrigas. Seu bolinho de cará com camarão seco e pesto de coentro, que abre o cardápio do festival, é uma oferenda a Iansã, orixá feminina do candomblé. Nele, há certa referência ao acarajé, comida de forte representatividade da culinária afrobaiana. Para encerrar, pudim de banana-nanica com rapadura é a sugestão de Cintia, que prioriza alimentos vindos da terra e minimamente manipulados em sua cozinha, estreitamente vinculada à bioenergética, ciência que vislumbra energizar o corpo.

CARDÁPIO

ENTRADA
Bolinho de cará com camarão seco e pesto de coentro

PRATO PRINCIPAL
Sobrecoxa de frango caipira com mamão verde

Acompanha arroz de pupunha com
farofa de dendê

SOBREMESA
Pudim de banana-nanica com rapadura

24

ABRIL

sábado

19h

SERGIO SANTOS

Para nossa sorte, o basquete e a arquitetura perderam SERGIO SANTOS para a música. Nascido em Varginha, no interior de Minas Gerais, Sergio é cantor, violonista, compositor e arranjador. Estreou profissionalmente em 1982, integrando o coro da Missa dos Quilombos – show e disco de Milton Nascimento, Pedro Tierra e Dom Pedro Casaldáglia – e, daí em diante, não parou mais de atuar na música, seja na noite ou em estúdios de gravação, seja participando de festivais país afora. Em 1995, lança seu primeiro disco solo, Aboio e passa a excursionar pelo exterior fazendo shows em diversos países. A partir de Aboio, foram mais 9 discos, o mais recente lançado em 2019, intitulado São Bonitas As Canções. Em 2006, foi indicado ao Grammy Latino pela canção Litoral e Interior, que dá título ao CD lançado naquele ano. Compositor, cantor e violonista de mãos cheias, Sergio é constantemente chamado a participar dos discos de seus colegas, como Francis Hime, Mônica Salmaso e André Mehmari, entre outros. Sergio vive em Belo Horizonte, de onde – quarentenado – gravou sua participação para o 1º FESTIVAL SABOR & SOM.

REPERTÓRIO

1. QUITANDAS DAS IAÔS
(Sergio Santos / Paulo César Pinheiro)

2. RECEITA DE VATAPÁ /
A VIZINHA DO LADO
(Dorival Caymmi)

3. SOMBRINHA BRANCA
(Sergio Santos / Paulo César Pinheiro)

4. RANCHO DAS 4 LUAS
(Sergio Santos / Paulo César Pinheiro)

5. NÊGA DO BALAIO
(Sergio Santos / Paulo César Pinheiro)

6. SAMBA PRA MANGUEIRA
(Sergio Santos / Paulo César Pinheiro)

7. ARTIGO DE LUXO
(Sergio Santos / Paulo César Pinheiro)

8. SAMBA NÃO TEM DONO
(Sergio Santos / Paulo César Pinheiro)

9. MULATO
(Sergio Santos / Paulo César Pinheiro)

10. PRECONCEITO
(Wilson Batista / Marino Pinto)

11. PALPITE INFELIZ
(Noel Rosa)

12. TALISMÃ
(Paulinho da Viola / Arnaldo Antunes)

13. KEKEREKÊ
(Sergio Santos / Paulo César Pinheiro)

14. GANGA ZUMBI
(Sergio Santos / Paulo César Pinheiro)

15. VOZ
(Sergio Santos / Paulo César Pinheiro)

25

ABRIL

domingo

15h

ELENICE ALTMAN

Quando criança, ELENICE ALTMAN visitava a casa dos avós aos fins de semana. Ali, no quintal, tinha árvore de carambola, abieiro, ameixeira, figueira, mamoeiro, abacateiro – além de um galinheiro e uma marcenaria. No mesmo quarteirão, ficava também a padaria do avô português. Aos nove anos, ela fez seu primeiro peru assado. Aos dez, já ia sozinha à feira. Empresária e consultora gastronômica, hoje ainda gosta de cozinhar, mas gosta mais da matemática das receitas. Seu marido diz que ela lê livros de receita como lê Valter Hugo Mãe. Elenice marcou presença sólida na concepção de cardápios e bares emblemáticos de uma São Paulo boêmia – Filial, Genésio, Vou Vivendo. Para ela, bar tem uma comida de casa que vai pra rua. A botica – armazém onde se vendia de tudo um pouco, no século passado – com o tempo passa a oferecer aos clientes a comida da casa do proprietário, dando origem ao botequim, à comida de boteco e à cozinha de bar. As sugestões que assina para o 1º FESTIVAL SABOR & SOM têm essa identidade do boteco, e carregam ainda a portugalidade do bacalhau, dos miúdos, dos doces de ovos. Abrem-se os trabalhos com bolinhos de bacalhau, ricos em peixe; bolinhas de alheira, cuja massa é o conteúdo do tradicional embutido de pães, alho e carne de aves, sem a tripa que o envolve; e com escabeche, receita que outrora era recurso de conservação, na qual o peixe repousa em vinagre, vinho branco e azeite, com cebola, louro e tomilho. Em sua versão, é antes empanado na crocante farinha de pão. Para o prato principal, traz sua receita de arroz de pato, criada em homenagem a Vinicius de Moraes, no ano de seu centenário, para o cardápio do extinto bar Genial. Úmido, recebe a carne desfiada e o peito selado e fatiado, que encontra a companhia de farofa de miúdos sob um ovo de pata, mais intenso que o ovo de galinha. Manjar de coco com baba de moça, doce brasileiro com origem nos ovos moles de Aveiro acrescidos de leite de coco, promete uma prazerosa redundância dessa fruta na sobremesa.

CARDÁPIO

ENTRADA
Petiscos de boteco: bolinhos de bacalhau,
bolinhos de alheira e escabeche de peixe
empanado

PRATO PRINCIPAL
Arroz de pato: arroz úmido com pato desfiado, sob peito de pato selado e
fatiado

Acompanha farofinha de miúdos e ovo de pata

SOBREMESA
Manjar de coco com baba de moça

25

ABRIL

domingo

19h

SANDRA FIDALGO
TONINHO FERRAGUTTI

SANDRA FIDALGO e TONINHO FERRAGUTTI
Nascida em Lisboa – filha de mãe portuguesa e pai angolano -, a cantora, compositora e instrumentista SANDRA FIDALGO iniciou sua carreira musical aos 19 anos e, desde então, trabalhou com grandes nomes da música portuguesa, como Tito Paris, Sergio Godinho, Jorge Palma e Rui Veloso, entre outros. Sandra mudou-se para o Brasil em 2014, radicando-se em Sorocaba, no interior de São Paulo, onde apresentou-se nos projetos do produtor Marco de Almeida. Foi ele quem a apresentou a Toninho Ferragutti com quem formou um duo de voz e acordeon que resultou no disco Paisagem Verde, lançado pelo selo Borandá em 2019. Até esse disco, Sandra já havia gravado outros três com suas próprias composições, além de clássicos da música portuguesa, intitulados Agora, Diário Azul e Natural. É com Toninho Ferragutti que Sandra apresenta-se neste 1º FESTIVAL SABOR & SOM, mostrando o repertório do CD Paisagem Verde. Nascido em Socorro, no interior de São Paulo, TONINHO FERRAGUTTI começou a estudar música aos sete anos com uma professora de acordeon e depois com o pai – que era saxofonista, compositor e maestro da banda de sua cidade. Um dia, mandou todos os métodos às favas e resolveu abraçar o autodidatismo, além de aprender, e muito, tocando em conjuntos de choro e de bailes. É professor, promove oficinas musicais em sua casa, e é devoto de Dominguinhos, Hermeto Pascoal e Gilberto Gil. Em mais de 35 anos de carreira, tem desenvolvido, sempre com seu acordeon, inúmeras maneiras de composição e reunido diferentes formações instrumentais para acompanhá-lo em seus trabalhos. Seja forró ou samba ou balada ou jazz ou música de câmara, Toninho transita sempre muito à vontade por todos os estilos, ao mesmo tempo em que tem uma marca forte e absolutamente pessoal fazendo com que, mesmo a quilômetros de distância, o ouvinte saiba que é ele quem está tocando. Além de 15 discos próprios, Toninho tem incontáveis participações em discos de outros, tanto como instrumentista quanto como arranjador. Está preparando o lançamento de seu novo trabalho, intitulado De Sol A Sol, com músicas especialmente compostas por ele para acordeon e quinteto de cordas. Seu lançamento mais recente é o CD Paisagem Verde, gravado em duo com a cantora Sandra Fidalgo, sua parceira nesta apresentação no 1º FESTIVAL SABOR & SOM.

REPERTÓRIO

1. PRESENÇA
(Sandra Fidalgo)

2. FALANDO DE AMOR
(Tom Jobim)

3. PAISAGEM VERDE
(Toninho Ferragutti / Sandra Fidalgo)

4. BARCO NEGRO (Mãe Preta)
(David Mourão Ferreira / Caco Velho)

5. NA VOLTA QUE O MUNDO DÁ
(Vicente Barreto / Paulo Cesar Pinheiro)

6. 7 X 7
(Guinga / Aldir Blanc)

7. CASA DE CABOCLO
(Paulo Dafilin / Roque Ferreira)

8. XOTE DA NAVEGAÇÃO
(Dominguinhos / Chico Buarque)

9. CAMINHO
(Sandra Fidalgo)

10. VALSA BRASILEIRA
(Edu Lobo / Chico Buarque)

11. ESTRANHA FORMA DE VIDA
(Alfredo Duarte / Amália Rodrigues)

12. ANO BOM
(Arrigo Barnabé / Luiz Tatit)

13. ESSÊNCIA
(Sandra Fidalgo)

1º Festival Sabor & Som

FICHA TÉCNICA

Idealização, curadoria e direção artística:
Gisella Gonçalves
Realização:
Ministério do Turismo
Secretaria Especial da Cultura
Governo do Estado de São Paulo
Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo
Borandá Produções
Produção artística:
Passagem Produções
Coordenação geral de produção e gestão do projeto:
Gisella Gonçalves
Produção executiva:
Lígia Fernandes
Assistente de produção:
Sandra Raiher
Identidade visual (logomarca) e projeto gráfico:
Otávio Bretas (ORB Produção de Arte)
Fotografia:
Marcos Muzi
Assessoria de imprensa:
Débora Venturini
Mídias sociais:
Silvani D’Elia e Guss Comunicação
Site:
Guss Comunicação

Transmissão:
Gisella Gonçalves
Camisetas e máscaras personalizadas:
Fábio Camargo

EVENTOS GASTRONÔMICOS:
Apresentação:
Luiza Fecarotta
Direção artística e de fotografia:
António Rodrigues
Câmera:
Ricardo D’Angelo
Assistente de câmera:
Leandro Balbino
Maquiagem:
Reinaldo Balbino
Produção de objetos:
Sandra Raiher
Assistentes de cozinha:
Bárbara Cucatti (Fabiana Badra)
Joaquim Rodrigues da Silva (Elenice Altman)
Thay Rochaf (Cintia Sanchez)
Estúdio culinário:
Fernanda Sueko S. Abbud
(www.cokitchen.com.br)
Copa / Faxina:
Rose Bastos Fonseca
Sanitização de ambientes:
Israel Palin (Purifike Sanitizar)
Dólmãs personalizados:
Neka de Lacerda
Aventais personalizados:
Fábio Camargo

EVENTOS MUSICAIS:
Apresentação:
Gisella Gonçalves
Direção de vídeo, fotografia e edição:
Beto Mendonça (Estúdio 185 Apodi – SP)
Luis Evo (Primata Filmes – BH)
Câmeras:
Estúdio 185 Apodi (SP)
Bruno Marques
Chrys Galante
Gabi Oliveira
Luzia Barros
Primata Filmes (BH)
Luis Evo
Áudio:
Gustavo do Vale (Estúdio 185 Apodi – SP)
Pedro Durães (NDVK Studios – BH)

Projeto viabilizado com recursos provenientes da Lei Federal 14.017/2020 (Lei Aldir Blanc), promulgada em 29 de junho de 2020, dispondo sobre ações emergenciais destinadas ao setor cultural durante o estado de calamidade pública decorrente da pandemia de Covid-19 no Brasil.

Todos os eventos do festival foram produzidos, finalizados e transmitidos seguindo-se rigorosamente todas as medidas de prevenção à Covid-19 recomendadas no Plano São Paulo e no Protocolo Sanitário Setorial da Cultura, Lazer e Turismo vigentes, para a máxima segurança de todos os profissionais envolvidos.

FOTOS:

Gisella Gonçalves: Sandra Raiher
Luiza Fecarotta: Davilym Dourado
Maria Luiza Kfouri: © Divulgação MLK
Fabiana Badra: Dulla
Patrícia Bastos: Felipe Castelo
Dante Ozzetti: Gal Oppido
Cintia Sanchez: Pedro Matallo
Sergio Santos: Paulo Santos
Elenice Altman: Maristela Martins
Sandra Fidalgo: Tarita de Souza
Toninho Ferragutti: Marcos Muzi

© 2021 Borandá Produções